terça-feira, janeiro 02, 2007

Saddam´s swinging weekend

Um aviso prévio: sou e sempre fui contra a guerra no Iraque. Abomino violência, mas reconheço que algumas guerras são inevitáveis. Não é o caso desta, que foi uma mentira muito mal contada, baseado em pretensas ligações terroristas e ADM nunca encontradas, sem nenhum plot-twist hollywoodesco que a valha. No fundo é a demonstração do que este século promete: a arrogância de um determinado país, que se sente o bully deste seu playground que é o planeta; que quer, pode, manda E faz. Porque escalaste esta montanha? Porque estava ali. Porque invadiste o Iraque? Porque estava ali E tinha líquido negro na cave. No fundo, a administração americana (sobretudo o "downsized" Donald, o Dick e a Preta. O George, eu dou sempre um desconto, porque eu acho que ele é um simplório que pensa mesmo estar a fazer o bem. Afinal um gajo que diz - eu vi e não parecia montagem!! - que é contra o Saddam porque "He wanted to kill my daddy", não pode ter maldade no coração) translada para o terreno geo-político o ambiente de super-competitividade da rat race em que se tornou a sua sociedade, sobretudo a "ética" empresarial que muitas das suas mamúticas corporações usam entre si (e interiormente, os seus executivos uns com os outros) ou seja subir a todo o custo, usando as pessoas quando lhes convêm e esfaqueando-as pelas costas na primeira oportunidade. Ora tiro uma foto a apertar a mão do Saddam, ora tiro-lhe a tosse. Como diriam nos filmes da máfia, "Nothing personal, just business".

Eu este fim-de-semana, para entrar bem no ano, vi na internet a versão integral do enforcamento do Saddam. Uncutted, com ele a balançar na ponta da corda, os olhos vitráceos e sem vida. Como no cinema. Não o fiz por nada mais que curiosidade mórbida. E tenho que dizer, infelizmente (talvez), não senti nada. Não senti terror, medo ou pena. Não senti alegria, não senti qualquer tipo de estimulação psiquico ou sexual (isso sim, seria preocupante) ante a morte de um ser humano. Eu sou pela aplicação da pena de morte, em casos extremos, apesar de saber que isso entra em conflicto com a minha natureza normalmente liberal. Como diz um amigo meu, é-se a favor ou é-se contra, por isso abstenho-me de expor as minhas razões ou tentar convencer a alguém a ter a minha opinião.

No entanto, realço só três coisas: o julgamento foi uma farsa, promulgada pela maioria xiita, com a benção dos EUA. Se é que existe alguma execução "civilizada", não foi de certeza esta, com os carrascos a - suponho - insultarem o condenado. E por fim, admiro a passividade, a calma, a serenidade (duvido que tenha sido só choque) com que Saddam Hussein encarou a morte. Foi um monstro sim, mas encarou o seu fim físico como quase ninguém no Ocidente o faria. Sem tremer, sem chorar, sem falar. Ando a ler obras de Schopenhauer (e também a "Cura de Schopenhauer" de Irvin D. Yalom), e concordo com ele. A grande desvantagem do Homem Ocidental face a todas as outras culturas do planeta é o nosso medo da morte.

1 Comments:

Anonymous Miss Precious tornou público que...

Sou contra a pena de morte, talvez porque trabalhando no sistema, sei como ele funciona. Não é uma questão de caber apenas a Deus decidir a vida e a morte, apenas os humanos são demasiado falíveis e o mundo está cheio de condenados em processos pejados de erros e testemunhas míopes.
O facto do vídeo, mesmo censurado, ter sido transmitido nos telejornais por esse mundo fora é inadmissível. É como se mostrassem, "estão a ver o que acontece a quem se mete com a América?"

10:04 da manhã  

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