segunda-feira, agosto 21, 2006

Que se foda o trabalho!

Sim, que se foda o trabalho! Está decidido! Setembro não vou trabalhar...

Ok, isso é simplificar o cenário ao exagero. Eu não me posso dar a esse luxo. O meu salário é a única coisa que me permite alimentar os meus variados, inócuos ou quase, supérfluos e dispendiosos vícios. E o trabalho ("a minha contribuição para a sociedade", se quisermos usar um vocabulário naíve e megalómano) a única via que eu tenho para o dinheiro que se faz pequeno.
Para mim, o trabalho é então não um fim, muito menos algo prazenteiro, mas unicamente um meio, um meio árduro e entediante para o fim que é a satisfação de uns poucos humildes necesejos (algo que me dá prazer, e está meio-termo entre um desejo caprichoso e uma necessidade imperiosa).

As férias desta vez passadas quase totalmente no Porto (em breve, mesmo muito em breve vou passar uns dias em terras bátavas) fizeram-me relaxar ao máximo, ao extremo da preguiça. Não, não aprecio o meu emprego (embora goste dos meus colegas), mas a questão não é só essa! Eu tenho PREGUIÇA! Sim, preguiça. Uma preguiça milenar, alguma coisa de secular aristocracia, algo que, em junção e compadrio com o meu espírito de contradição, essa sensação de não-pertença e subsequente desprezo pelo rebanho faz-me odiar o trabalho. Não se trata de preguiça no sentido físico, eu não me importo de acordar cedo e ter um dia honesto de trabalho...mas a rotina, a monotonia, a disciplina provocam-me enfado. Estou a adorar estes dias estivais. Em primeiro lugar por não estar muito calor. O meu desprezo pelo rebanho também se aplica a esta tradição de se deitarem ao sol. Os lagartos adoram o sol porque são criaturas de sangue-frio. Em segundo lugar, poderia viver assim toda a vida! Sem chefes, sem horários, sem dizer que SIM, sem rotinas, sem monotonias, sem horas de deitar, sem horas de acordar, sem sítios para ir porque sim. Feliz! Passar metade do dia a dormir, a outra metade a ver filmes, ir ao cinema, a escutar música em casa, ou a aprofundar o meu espírito através de leitura ou pesquisas na net sobre coisas que me agradam, como literatura, filosofia, arte, música, tv ou comics. Passar a noite em excessos boémios.

Isso são só desvaneios, ilusões...mas não deixam de exprimir sentimentos reais.
Talvez como o Gabe Dimas do Sete Palmos de Terra, a vida não seja o meu ambiente.

2 Comments:

Blogger K tornou público que...

Oh como eu te percebo! Também eu sou acometida de tal preguiça, também eu almejo uma vida sem a dita rotina em que podemos explorar o que mais nos dá gozo. A "vidinha", essa, é uma merda!

8:59 da tarde  
Blogger W. tornou público que...

Subscrevo.

9:56 da tarde  

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