segunda-feira, agosto 07, 2006

Da cultura no Porto

O preconceito enraízado contra a minha cidade que mais me provoca beri-beri, quando não um forte ataque de filoxera, é dizerem que o Porto não tem vida cultural. Essa idéia pré-concebida, que até pode haver sido verdade há décadas, neste momento é - pelo menos - um brutal exagero.

O Porto neste momento tem uma geração - ou parte de uma geração - nos seus 20/30 anos, de nível cultural acima da média, bastante interessada em eventos culturais plásticos, musicais e cénicos tradicionais, indie, vanguardistas ou expressões de pop-art.

O Porto tem - e tradicionalmente sempre teve - uma rica vida estudantil, a que a vinda anual de dezenas de estudantes de todos os pontos da Europa, via o programa Erasmus, só veio enriquecer. A Queima das Fitas, apesar de ser cada vez mais pobre em termos de cartaz de espectáculos musicais, continua a ser um dos melhores eventos académicos nacionais.~

O Porto tem um número bastante elevados de pontos de encontros nocturnos, alguns tradicionais e renovados, outros recentes, uma rede de cafés, snack-bares, bares e discos, alguns com iniciativas culturais, outros que no minimo são excelentes locais de tertúlias, que é placa-giratória boémia onde se cruzam estudantes, artistas e intelectuais. Um outro 1820 no século XXI é possível!

O Porto tem um festival de cinema independente com bastante nome internacional (mau grado a recente embrulhada do Rivoli).

O Porto tem uma excelente biblioteca municipal.

O Porto tem excelentes museus.

O Porto tem uma Casa da Animação, com certames onde se dá a conhecer o que de melhor se vai fazendo na cena doméstica e internacional a nivel de animação e do anime.

O Porto tem excelentes livrarias, lojas de multimedia e geek-shopes (porque pop-culture também é culture).

O Porto tem uma excelente Feira do Livro.

Na zona urbana do Porto (Porto, Maia, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, etc..)há larguíssimas dezenas de salas de cinema. Embora a grande maioria se dedique ao habitual regime pipoqueiro do mainstream holliwoodesco, ressalve-se um reduzido número de salas onde se pode ver cinema de autor ou independente.

O Porto tem casas de espectáculos como o Coliseu, o Rivoli, a Casa da Música, o Teatro Nacional de São João ou o Passos Manuel, onde é possível assistir a excelentes espectáculos musicais, cénicos, plásticos, alternativos, de nomes desconhecidos ou aclamados, nacionais ou estrangeiros, indie ou comerciais.

O Porto ainda vai tendo iniciativas de animação urbana de cariz cultural, como o cinema fora de sítio, onde se pode ver filmes de reconhecida qualidade em lugares improváveis.

Até arquitecturalmente o Porto, para além do granito cinzento e desinteressante que o caracteriza, tem edifícios e estabelecimentos de art noveau lindíssimos!

Ouso até afirmar, que em termos qualitativos (pois quantitativos já sabemos que tem mais gente, mais casas de espectáculos, mais cinemas, mais livrarias, e etc), Lisboa só supera o Porto em 2 aspectos: a cinemateca e os grandes concertos de estádio dos grandes nomes internacionais da música, a maior parte deles música comercial.

Porém, mesmo isso pode estar a alterar-se, agora com o novo - e lindíssimo - Estádio do Dragão.
É de louvar o Concerto dos Rolling Stones a ter lugar este mês na nossa urbe griz.
Mesmo assim, eu não vou estar presente.
Não nego que os Stones são ainda grandes. Não nego que gosto muito deles e até gostaria de estar presente. Mas dar €50,00 ou mais para ver gajos da idade do meu pai em tonco nú, é algo para o qual o meu amor à Arte não chega...