terça-feira, agosto 01, 2006

A bandeira à janela do meu quarto...

Tenho uma bandeira portuguesa à janela do meu quarto. É uma bandeira porreira à maneira.
Não me custou €1,00 no Continente nem €0,50 nas "lojas dos chineses". Aliás esqueci-me completamente onde a comprei e quanto me custou. Isso importa?
O que importa é que é uma bandeira perfeita. Tem uma barra vertical verde, do lado esquerdo (o lado do pau da bandeira), uma outra barra vertical vermelha ligeiramente mais larga no lado direito, e um "côte d´arms" completo com a esfera armilar, os castelos mouros (não pagodes chineses) e as quinas. Mai´nada! Não tem apêndices desnecessários impressos ou bordados nas margens. Nas suas bordas não se lerá "Portugal!", "Força, Portugal!", "Até os comemos!" ou semelhantes babujices. Muito menos qualquer publicidade a marcas de vinhos ou produtos alimentares, instituições bancárias ou agências seguradoras.
As cores estão perfeitas, mas desbotadas devido a intempéries naturais e humanas. O sol, a chuva, a neblina, a névoa, o nevoeiro, o orvalho matutino, o pó e o fumo. A minha bandeira está pendurada desde Janeiro de 2004 à janela e ainda perdura. Porque o meu patriotismo não começa nem acaba com a realização de eventos desportivos de periodicidade sazonal e com representações nacionais.
O meu patriotismo é raro em Portugal. Não é provocado - quando muito será exacerbado - por acontecimentos desportivos. Não é um patrioteirismo piroso. Muito menos um nacionalismo xenófobo! O meu patriotismo é um amor que tem muito boa visão. É um sentimento semelhante ao amor naife que leva os americanos a exibirem as suas "stars and stripes", ou os ingleses a sua Cruz de São Jorge (a Cruz de S. Jorge é de bom tom, ao contrário da Union Jack; na Inglaterra se hasteias a Union Jack estás a declarar indirectamente a supremacia inglesa sobre a Escócia e Gales, e a dizeres tácitamente que apoias a continuação do Ulster sob a coroa dos Windsor...i.e., és rotulado de NS, Skin, 88, Oi! e essas coisas todas...).
O meu patriotismo é o que me leva a me sentir em casa num país onde não me identifico com mais de metade das pessoas, coisas e mentalidades. É o que me leva a dizer cobras e lagartos do que se passa aqui, mas não admitir ouvir críticas de boca estrangeira. É o que me leva a abanar a cabeça face a pessoas que não sabem pendurar a bandeira, não sabem a letra do hino e declaram à boca cheia que queriam ser espanhóis...