sábado, julho 15, 2006

Filmes que não me importo ver "n" vezes

Continuando com a minha análise de filmes que eu adoro, passo a este, a meu ver um dos filmes mais comoventes de sempre.
Midnight Cowboy - O Cowboy da Meia-Noite conta com mais uma lendária personagem de Dustin Hoffman e com um Jon Voight laureado com um Óscar, e que com o seu Joe Buck mais a sua participação em Deliverance merece ser reconhecido como um bom actor e não somente como o pai de alguém.
O filme é estudo triste sobre a alienação, a solidão e a falta de coração na cidade grande, a amizade possível em condições humanas adversas e o amargo sabor da perda.
Joe Buck é um inocente e simplório texano, enternecedor na sua ingenuidade e - sim - pureza, que vai para NY fazer a vida a servir de prostituto de mulheres.
A Big Apple não foi feita para contry boys, como ele descobre ao ver a multidão indiferente a passar ao lado de um homem estendido no chão sem lhe prestar ajuda. Ou no seu primeiro engate quando, além de não receber dinheiro ainda acaba por dar 20 dólares à cliente.
Encontra Enrico "Ratso" Rizzo, outro derrotado da vida, um con-man com uma perna defeituosa que sobrevive à custa de pequenas trafulhices. A relação deles começa quando ele engana Joe, numa 2ª parte Ratso acaba por se tornar "agente" de Joe e divide o seu miserável apartamento com ele. Até que finalmente uma sensação de afectividade e amizade começa a nascer entre eles ao ponto de Joe aceitar um cliente masculino, o espancar até à morte e roubar para ter dinheiro para satisfazer a obsessão de Rico de ir para a Flórida. Ao chegarem lá, Rico morre e Joe fica totalmente sozinho no mundo quando o filme acaba.
Pleno de cenas marcantes (a dita cena do espancamento do cliente, a cena com o adolescente no cinema ou a festa artística onde Joe tem uma experiência com droga - embora não tão marcante como a cena do acid trip no Easy Rider), o filme tornou histórica a canção country "Everybody´s talkin´" interpretada por Harry Nillson