terça-feira, abril 11, 2006

Páscoa

Não existem na língua Portuguesa palavras suficientes para exprimir o quanto me deprime e enfada a Páscoa. Eu que amo o Natal com uma entrega infantil, não consigo encontrar nada que me alegre por estes dias quaresmais. Talvez seja por causa do cariz não obrigatóriamente religioso do Natal em contraposição com a conotação cristã que nestes dias se vive.
O Natal, como devem saber é mais antigo que o Cristianismo, e mesmo o ateu mais empedernido consegue apreciar o tempo do Solstício de Inverno. Justamente o melhor do Natal é a delicada sinergia entre o profano e o divino. As doces memórias de infância de se decorar o Pinheiro de Natal de origem teutónica harmoniosamente ao lado da representação icônica do Nascimento de Jesus. Que melhor metáfora para o que o Natal significa? Para mim o Natal significa um pouco menos de egoísmo, um pouco mais de consciência de grupo, de boa-vontade para com quem amamos mas também para os que desconhecemos, num ambiente independente de considerações religiosas (mas simultâneamente concordante com o que as religiões cristãs - ideológicamente - defendem).
Já a Páscoa não. Somos bombardeados pelas TVs de um país que se quer laico, com transmissões de tradições de festividade pascal, portuguesas ou estrangeiras, por certo pouco alteradas desde a Idade Média, com os incríveis relatos de filipinos que se submetem à tortura da crucificação, e com os habituais filmes da época, ao que se juntará este ano A Paixão de Cristo, do cérebro católico febrilmente Lefevriano de Mel Gibson (acresce que eu aprecio esse filme, mas duvido que seja apto para todos os públicos).
Depois, eu detesto a comida da Páscoa. Não vou sequer falar da tradição de comer peixe na 6ª-Feira Santa. Não consigo conceber isso como sendo jejum ou sacrifício.
Falo do Pão-de-Ló. É de mim ou isso é extraordinariamente enjoativo? De qualquer forma gosto muito mais de Bolo-Rei. Já para não falar de amêndoas! De chocolate, de licor, de açúcar...após 30 Páscoas, dispens bem o raio dos frutos secos cobertos de açúcar ou chocolate, bem como os ovinhos. Viia bem de rabanadas e Bolo-Rei, acreditem.
Já para não falar no símbolo da Páscoa. Se querem que a gente acredite que Deus teve um filho que morreu por nós e ressuscitou, a gente ainda acredita, agora que um roedor de olhinhos vermelhos, pêlo branquinho ou colorido, orelhas fofinhas e nariz a tremer pega numa cesta e anda para aí a dar ovos de chocolate ao pessoal...

1 Comments:

Anonymous devilspit tornou público que...

Opá, eu ainda nem li o texto mas adorei o cartoon!! ahahahahahahahahahahahahah

9:43 da tarde  

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