segunda-feira, setembro 19, 2005

Diamanda is forever...



Eu confesso que, no que toca a música sou - não direi inculto - mas ainda pouco cultivado.
Eu tenho gostos bastantes ecléticos, que é uma maneira elegante de dizer que ouço um pouco de tudo, que é uma maneira P. C. de dizer que não tenho critérios músicais (se calhar não só musicais, mas adiante).
Acontece que eu sempre tive o defeito de gostar de intérpretes, não de géneros musicais.
Acontece também que eu sempre tive tendência a gostar de certos tipos de íntérpretes que pessoas com gostos bem mais apurados que eu não hesitariam de chamar de "lixo podre" auditivo.
Mas eu gosto e quero cultivar-me. Sei que não corro o risco de tornar-me num snob pedante. Eu, por exemplo, que antes só via chachadas hollywoodescas, mas que agora sou um apaixonado por cinema de autor, filmes europeus, e outros exemplos do chamado "cinema de qualidade"
(claro que continuo na mesma a ver chachadas hollywoodescas, mas isso agora também não importa), a ponto de agora aventurar-me a ver filmes no Nun´Álvares e no Cidade do Porto, sem sequer saber de que tratam, e quase sempre a sair deliciado (pode-se dizer que eu, um "movie junkie" passei das "drogas leves" - filmes americanos de acção/comédia/terror - passei para as "drogas pesadas" - cinema de qualidade).
Foi com o mesmo espírito de "atirar-me de cabeça sem saber o que esperar" qe eu fui ontem à noite, pela 1ª vez à Casa da Música - que eu como só conhecia pelo que via de fora cheguei a pensar que fosse um centro de desportos radicais - ver o espectáculo da
Diamanda Galás.
E fiquei rendido.

A mulher é mesmo uma diva negra (não admira a enorme quantidade de góticos na platéia - isso eu já sabia), interpretando possessa variações infernais de blues e outros (e de certezinha que ela não interpreta a mesma canção da mesma maneira duas vezes), em várias línguas, numa voz lúgubre e linda que se transforma em crescendo em guinchos sepulcrais, enquanto acaricia por vezes suave, por vezes violentamente o seu piano, num dedilhar frenético.

Reservada, só interagiu com o público quando reagiu de forma simples e digna aos disparates (não ofensivos, mas desnecessários) que um idiota qualquer lá no fundo lhe gritava após cada canção.

Voltou ainda 3 ou 4 vezes após o fim da actuação. Um espectáculo estranho! E sublime! Muito bom, mesmo!

Quanto ao auditório da Casa da Música, é bastante agradável, tem inclusive à direita uma janela que parece como um relógio de cuco gigantesco. A única coisa que eu desatinei foi com as cadeiras. Quem surgiu com aquela idéia peregrina da cadeira ir para trás e para a frente? Não é propriamente muito agradável.

Moral da História : fiquei freguês! Da Diamanda e da Casa da Música.

5 Comments:

Blogger magicgypsy tornou público que...

Nunca ouvi Diamanda Galás.Já ouvi os mais derretidos elogios à sua voz mas nunca um disco dela me passou pelas mãos.Há que resolver a lacuna.Mas fiquei com vontade de ir à Casa da Música. Talvez leve uma cadeirinha de casa ( à la tursta rústico)mas quero ver a janela em forma de relógio de cuco.

2:38 da tarde  
Anonymous mar tornou público que...

Qt à Diamanda, ignorante me confesso.... :(
Já em relação à casa da musica, apenas acho q a construiram no local errado, não se coaduna com a rotunda, nem com a arquitectura envolvente. Noutro sítio, como por ex o parque da cidade, no lugar onde está o antigo pavilhão da água, acho q ficava um espectáculo :)
Beijitos

7:50 da tarde  
Anonymous LadyInBlack tornou público que...

n conheço mas é smp bom descobrir coisas q nos dão prazer e abrir horizontes(ok...acho q n esta a soar mt bem o q escrevi mas isso n interessa nada...lol).
bjokas

5:23 da manhã  
Anonymous Tux tornou público que...

Hey entao o concerto foi fixe ???
Estive mesmo para ir mas nao ia a tempo ....
Espero que tenhas curtido ....
A granda Diamanda :D
A mulher deve ser do pior :P

6:22 da tarde  
Blogger Sergy tornou público que...

Ou do melhor...:D

7:35 da tarde  

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