terça-feira, maio 24, 2005

Estios que sangram...

Longa vai a Primavera...os seus braços férteis, verdes e rosas extenderam-se até mais não poder...brevemente fenecerão ante a iminente e exuberante ejaculação dourada do Verão (ou quiçá seja já esta a estação de Apolo, do amadurecimento vital).
Não o sei dizer com clareza, desprendido que estou por vontade (ou talvez por desígnio superior) dos acasos dos ocasos sazonais...
Não consigo dizer com clareza o que será o Verão...mas posso ponderar, imaginar, tentar prever, vestir a pele do adivinho...e prevejo um Estio atípico, seco e inclemente, árido e tempestuoso...
Gostaria de ver o Verão como o Verão deve ser...Ouro no Céu, uma fresca brisa marítima trazendo cheiro a maresia, sabor a salitre, despreocupação absoluta, a promessa forte de um Outono ameno e sossegado.
Porém, não me parece que este cenário se realize. A culpa é minha, mas não tive escolha.
Eu sou um agente estático do momento, vivendo a vida minuto a minuto.
Esmagado pelo conformismo, derrotado pelo derrotismo, exilado numa ilha de remota e vã esperança, num Mar Negro de pessimismo!
Não raras vezes sinto-me morto por dentro, incapaz de accção ou reacção!
Amorfo(bo)!
Não tenho idéias, ou ideais, ou planos ou projectos, ou sonhos, possíveis ou impossíveis
Pois sempre que os tive, o Destino, cruel zombeteiro, esmigalhou os meus sonhos e planos e projectos à nascença, cortando-os à traição no ventre materno da minha imaginação!

(Essa última frase está escrita como uma metáfora! Não acredito no destino! Mas também não acredito em mim mesmo...e quando isso acontece, então é certo um Inverno desolador, que espalhe a Fome pela Terra!)