segunda-feira, maio 02, 2005

Cidade Podre

Eis a urbe aqui construida
Sobre restos mortais de sonhos desfeitos
E corações triturados jazendo em leitos
de Morte acordada ofegando por vida

Corpo defunto em putrefacção
Coração milenar granito duro e frio
Negros dramas de amor e morte à beira-rio
Onde almas perdidas penam por redenção

Sinuosas vidas, tristes caminhos
Onde negras fomes acirram à luta
Puta de vida e vida de puta
Rostos ocos apodrecem sozinhos

Calçadas seculares torturadas
Ruas cegas de neblina
Macabras lições que a vida ensina
A seres vácuos de alma estuprada

Célere novamente levanta-se o bréu
Sobre a pedra parda que o destino amaldiçoou
E a podridão reinante que a noite abandonou
É encoberta pelo diurno, plúmbeo céu

6 Comments:

Blogger Joanissima tornou público que...

Uau....

2:28 da tarde  
Blogger Joanissima tornou público que...

(agora que já tenho pulsação outra vez....)

Que lindo, lindo lindo....

2:28 da tarde  
Blogger Sergy tornou público que...

Olha, Joana, em primeiro lugar, sinto-me feliz que tenhas gostado.
Por outro lado, fico surpreso que tenhas achado "lindo", uma vez que esta tosca e despretensiosa composição rímica pretendia pintar uma realidade bem negra
(à priori, este post é sobre o Porto, mas penso que permite uma multiplicidade de leituras...)

7:21 da tarde  
Blogger Joanissima tornou público que...

E desde quando as "toscas e despretensiosas composições rítmicas" que pretendem "pintar uma realidade bem negra" não podem ser lindas?
Achei acutilante e muito bonito... : )
E sim, dá para entender que falas do "nosso" Porto... E também por isso me emocionou.

12:13 da tarde  
Blogger Sir Paul Cezar tornou público que...

Muito bom!!!!! Faz outros, sao bons para musicar ;)

6:33 da tarde  
Blogger Sergy tornou público que...

Se quiseres musicar este, estás à vontade!

1:59 da tarde  

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