sábado, abril 30, 2005

Medo

O medo é um afrodisíaco dos sentidos.

Existem muitas coisas que me metem medo (alturas - embora andar de avião não seja um problema para mim - dormir sozinho totalmente no escuro num sítio desconhecido, andar de barco, bichos rastejantes...).
Porém hoje resolvi falar de um medo distinto....o medo sobrenatural, o medo irracional que não encontra explicação nas leis naturais, o medo e pânico primordiais.
Embora seja algo cínico e realista, encantam-me ouvir histórias de fantasmas, superstições, boatos. Tais questões espevitam-me a imaginação e despertam-me para sensações estranhas.
Recentemente tive oportunidade de saber bastante sobre algo que eu já conhecia...a superstição teatral que a peça Macbeth de Shakespeare está assombrada, embruxada, o que quiserem...é uma superstição que tem raízes seculares no mundo teatral, sobretudo em países anglófonos...e há uma panóplia de inquietentes factos e coincidências, e incêndios (no teatro D. Maria II, por exemplo), e acidentes, e ferimentos e mortes através dos séculos, em diversos ponto do globo onde "The Play" está em cena.
Eu entendo que isto tem uma explicação lógica...quem sabe se, se bastante pessoas acreditarem com bastante força em determinada coisa durante bastante tempo, essa coisa tenda mesmo a acontecer...e ao acontecer, unicamente servirá para convencer ainda mais pessoas a acreditarem ainda com mais fé durante ainda mais tempo, tornando-se assim num círculo vicioso de causa e efeito.
O que eu sei é que eu gosto muito de boatos, sobretudo de mitos urbanos (urban legends, em inglês), pelo que sou assíduo leitor de www.snopes.com.

Por exemplo, lá podemos ler sobre uma canção húngarade 1930s, que alegadamente teria levado quem a ouvisse ao suicídio!
A versão inglesa chama-se "Gloomy Sunday". Para experimentar, ouvi-a numa altura em que estava mesmo em baixo...não me suicidei, como era evidente...senão quem estaria a escrever isto seria um "ghost-writter", no entanto senti algo ao ouvi-la...um sentimento inquietante, o tal medo irracional, que não raras vezes encontra terreno fértil na imaginação individual das pessoas, ou no imaginário global de um povo.