segunda-feira, abril 25, 2005

Europa, América, Israel



Eu não entendo muito bem o exarcebado sentimento de antagonismo, na fronteira do ódio, que determinada esquerda europeia nutre pelos EUA!
Eu sou apolítico, mas creio que se nota em alguns dos meus posts uma certa inclinação para a esquerda, situação que eu não nego de forma alguma...porém convém não entrar em exageros!
Eu sou contra o Governo Americano (ou a Administração Bush, como os media portugueses, sempre tendentes a anglicanismos agora dizem), mormente na parte da política externa!
E Bush é alguém que não tem capacidades nem qualificações para ser o homem mais importante do mundo (o líder do Mundo livre, usando uma expressão arrogantemente cara aos americanos).
É uma figura burlesca, uma caricatura do pior do sul dos EUA, um parolo, um saloio, um hillbilly, um red-neck, um white-trash, um blue-collar...mas RICO!
É um filho do papá, que trocou o álcool da juventude pela religião (que, tomada sem moderação é a mais forte das drogas).
É uma pessoa que vê o mundo em matizes de etnocentrismo preto-e-branco. No fundo até penso que é uma pessoa bem-intencionada, que julga estar a fazer o bem, sem passar de ser um fantoche da máquina financeira-petrolífera-militar, e dos velhotes ricos amigos do papá (os Rumsfelds, os Cheneys, etc..).
Ganhou o 1º mandato de forma algo..."não ortodoxa". Entrou numa guerra contra a vontade da ONU, da maior parte do Mundo e da própria população. Guerra que já matou milhares de jovens americanos (sem falar de milhares de civis iraquianos, que esses gajos não interessam a ninguém, claro está). A economia americana foi destroçada por grandes desfalques e falcatruas causadas pelos amiguinhos dele (como Ken Lay da Enron, uma das principais fontes de financiamento da campanha eleitoral dele). E quanto às capacidades intelectuais dele, não penso ser necessário nenhum comentário...
E contudo, não devemos julgar um povo pelos seus governantes, embora a mentalidade americana, apesar de ser de origem europeia, é muito diferente. Para eles ser-se contra o Governo é ser-se anti-patriota. E a verdade é que desta vez, eles elegeram-no sem desonestidades. Talvez até mereçam o que têm! Mas eu acho que merecem mais! A América é um país grandioso, pleno de cientistas, escritores, músicos, cineastas, actores e desportistas brilhantes. São responsáveis por grande parte das tecnologias sem as quais não vivíamos hoje em dia. E têm mesmo uma grande liberdade de imprensa e de pensamento. Se tivessem uma política laboral e social melhor, seriam uma sociedade ainda mais evoluída. Mas eu não creio que eles mereçam ser todos catalogados como arrogantes, incultos e violentos, por uma parte da sociedade Europeia!

Outra questão é o Estado de Israel. Isto é assim, eu até posso começar a ser censoriado pela Mossad, mas a verdade é só uma!
Não sou anti-semita, sou anti-sionista (ou anti-zionista, como quiserem!)
Não concordo com os colonatos, não concordo com os campos de refugiados, não concordo com a violência exercida contra a população palestiniana. Não concordo com o abuso do direito de auto-defesa! Sou contra o terrorismo...o terrorismo do Hamas, e o terrorismo de Estado praticado pelo exército israelita.
Uma coisa que me irrita nas minorias...são perseguidas, foram perseguidas, e por vezes parece que batem um pouco demais na tecla da vitimização!
Vítimas de limpeza étnica e do holocausto, muitos judeus (melhor, muitos israelitas) julgam que isso serve de desculpa para tudo...para criarem ghettos, para virarem-se contra outro povo, outra raça, outra religião.
Para ignorarem e rejeitarem todos os acordãos internacionais, todos os tratados e convenções, todos os direitos humanos.
Se me roubassem tudo, eu não teria o direito moral de me tornar num ladrão.

E no entanto, eu não creio que o anti-sionismo seja desculpa para o anti-semitismo, um sentimento enraízado há séculos, milénios na Europa.
Nem todos os israelitas concordam com os colonatos, com a opressão aos árabes!
Israel é um país soberano, única democracia no médio-oriente e como tal merece ser respeitado.
Uma vez, vi escrito nas paredes exteriores da sinagoga do Porto:

"Nunca esqueceremos Ramallah!"

E nunca devemos esquecer...porém era necessário atacar e ofender assim pessoas que não têm nada a ver com isso, portugueses como nós, que por acaso são de uma raça/religião diferente?
Era bonito ver escrito em todas as paredes do Vaticano:

"Nunca esqueceremos a Inquisição!"?

O que mais aborrece é que estou convencido que a maior parte dos Europeus que são contra Israel só o são por causa dos EUA, e do lobby judaico, poderosíssimo na América!

Nunca alcançaremos a paz, mas podemos lutar por ela, mesmo que seja só idealísticamente.
E podemos começar por nós mesmos, fazer uma reflexão interna, procurando ter um pensamento livre de preconceitos e generalizações!

2 Comments:

Blogger magicgypsy tornou público que...

Como em tudo na vida o extremismo é inimigo do bom senso e da justiça.
Existem milhões de pessoas no mundo revoltadas com a arrogância e o "faço o que quero quando quero" que as sucessivas administrações americanas ( republicanos ou democratas, não interessa) têm vindo a exercer ainda mais descaradamente desde a desintegração da URSS.
Não se trata de um complexo de esquerda nem do falar mal por falar, trata-se de dados factuais, de evidências , coisas provadas.
Pessoas conotadas com a Direita são também elas dos mais enfáticos denunciadores do actual estado de coisas.Não é uma causa exclusivamente de esquerda.
O grande problema do fenómeno americano será , na minha opinião, o alastrar ao resto do mundo da mentalidade animalescamente competitiva do cidadão médio americano. Os jovens de hoje em dia já expressam alguns dos tiques hediondos dos subúrbios americanos. O egoismo, o desinteresse, a falta de valores, a cobardia de se defender por detrás de uma arma e de um gang.
Isso são tudo invenções de uma sociedade de empreendedores que negligencia a paz social em favor de um circo competitivo que só favorece a paz podre e armada.

Sinceramente só acho que o Bush ganhou um segundo mandato recorrendo à chantagem emocional de aterrorizar ele próprio os eleitores com ameaças de apocalipses se os marines não fossem ao malvado médio oriente distribuir bombas em tudo o que se mexesse. A própria administração Bush tem sérias responsabilidades nos ataques às torres gémeas ao ter negligenciado fortes indícios de que a AlQaeda preparava atentados de grande dimensão.

Este é um assunto complexo que não convém simplificar e tenho a certeza que tanto eu como tu pensamos bem mais sobre a América do que será possível partilhar num blog.

2:27 da tarde  
Blogger Sergy tornou público que...

Em 1º lugar, tenho que te agradecer!
Foste talvez o único que se deu ao trabalho de ler este post grande, e AINDA dar-se ao trabalho de escrever um comment extenso e pertinente!

Penso que o maior problema da política externa de qq administração americana (democrata ou republicana, tudo o mesmo: Como o Michael Moore diria em "Downsize This", "republicat!") é ser o reflexo do que tu - muito bem - chamas de "competitividade animalesca do americano médio!"
A América é uma sociedade onde não há 2ºs lugares, nem prêmios de consulação...é a cultura da vitória a tood o custo. Vences ou vais para o fundo da cadeia da alimentação.
Isso desde a infância.
Nos primeiros anos de escola, a criança já sabe que tem que ser popular, ou é marginalizada!
Por altura do liceu, já é perfeitamente claro o que vais ser: um white-collar, um blue-collar, ou um high-school drop-out!
E no mundo empresarial, sobes a escada corporativa ou é esmagado.
E a política externa da América foi sempre o Dog-eat-Dog versão Global.

O resto do Ocidente tem a culpa de se submeter totalmente à cultura e estilo de vida americano...somos todos culpados do mundo que temos...

7:56 da tarde  

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