domingo, março 06, 2005

Reflexões de um comatoso

Eu não tenho noção do tempo nem do espaço...

Eu sou um autista do infinito, um egocêntrico do absoluto! Um eremita forçado ao voto das sombras! Eu não escolhi a solidão, ela escolheu-me a mim! Eu não escolhi esta escuridão, ela escolheu-me a mim!

Eu não tenho noção do tempo nem do espaço...então imagino!

Imagino que estamos em Outubro, um Outono gélido, e porém seco. A luz pálida do sol é coada pelas frinchas na persiana semi-encerrada. Imagino que a luz branca torna o quarto envolto em uma aura fantasmagórica!
Tento imaginar que controlo o meu destino! Tento imaginar que os meus olhos têm as pálpebras descidas por opção! É isso...decidi passar o dia na cama! Mover-me não é uma opção...porque não quero.
Imagino que a preguiça e a apatia são o que me toldam os movimentos! A apatia...a apatia é uma amante gélida, obsessiva e ciumenta. Sinto-me cercado pelo seu amplexo, amordaçado, amarrado!

Era tão bom se fosse assim...mas é tudo imaginação...arma contra o tédio do limbo, o nada do abismo.
Ignoro o que é sonho e o que é raciocínio coerente. Mas não tem importância! No mundo de clausura que é o meu, sonho e pensamento são as duas caras de uma realidade abstrata! O meu dia e a minha noite.
Eu sei que lá fora há uma realidade tangível, um mundo rico e contraste, em explosão e implosão constantes de vida e cor.
Essa realidade é o TUDO que os nossos interfaces de ligação com o exterior absorvem!
Quando esses interfaces quebram, a realidade cessa de existir! Torna-se uma mentira, para nós.
Nesse momento somos tudo e somos nada...em nós somos deus!

Os vivos circulam lá fora, como espectros...não os vejo, não os sinto, mas posso imaginar!