segunda-feira, março 21, 2005

Para os que partiram


Ignoro o vosso destino uma vez transpostos os portões! Ignoro o que me esperará quando me juntar a vós!
Não sei se encontraram o repouso eterno ou a perturbação imorredoira.
Não sei se estão circunspectos pela solidão, silêncio e escuridão, trindade ímpia de um Nada Absoluto que está para além da compreensão mortal.
Desconheço se estiveram frente a um Juiz ou Rei de divina natura, que mediu os vossos actos para arbitrar a recompensa ou punição.
Não posso saber se reencarnaram, e são agora novos seres, que crescerão por certo mais sábios, devido a experiências acumuladas de passados mortais.
Não sei se encontraram o Paraíso, como um Jardim Celestial, onde é plena a festa dos sentidos...sentidos exarcebados para além do humanamente imaginável...ou se caíram em poços ardentes povoados de visões dantescas.
Estão condenados a reviver todos os momentos maus da vida ora finda? Conseguiram a boa-fortuna de reviver os momentos em que foram felizes neste apeadeiro breve? Estão perdidos num limbo, como se sonhassem em vida? Ou estão sempre connosco, a velar os que vos são queridos, mesmo que não os possam ajudar?


Nada disso sei, mas há algo que sei...enquanto permanecerem na mente e no coração de pelo menos um de nós, nunca estarão verdadeiramente mortos.