quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Porque eu hoje sinto-me niilista

Todos os dias via-te passar. Todos os dias eu era um voyeur circunspecto da tua singela existência! O caminho que fazias era um circuito fechado e rotineiro.
É mau uma vida de sofrimento. Mas a teu ver, a tua era ainda pior. Pois pensavas nela como uma vida vazia, desprovida de sentido e conteúdo.
Sempre viveste com muito pouco, por isso pouco era o que querias...tão somente que alguém viesse e te dizesse que pensares assim era um erro e um absurdo, que a tua existência era digna, que o simples facto de seres aqui alegrava a vida de outros.
Querias agradar a todos, ser compreendido, esforçavas-te tanto...esse era o teu erro! Tinhas que haver compreendido que mais valia agradar e ser compreendido por poucos que por todos...mas ninguém te parecia entender, e só tinhas portas fechadas ao teu redor.
Querias algo que te fizesse quebrar a rotina, o ciclo monótono, deixar as tonalidades cinza e negra, largar as músicas fúnebres, alcançar novos céus!
Mas é grande a gravidade da Terra, e ela não te deixava levantar vôo!
Os dias passavam iguais e o desânimo abatia-te e amortecia-te, por dentro.
Automatizaste-te, aceitaste a pala que te impuseram, aceitaste ser um escravo, uma roda da engrenagem...tornaste-te parte da própria rotina!
Um dia sem que ninguém soubesse porquê, dormiste e não mais acordaste.
Passaste fugazmente pela vida....passaste a correr. Já estavas morto por dentro. Havias desistido há muito! Criatura tola, estúpida e covarde! Mas nós sentimos a tua falta!

REQUIEN IN PACE

Ask not for whom the bells toll, they toll for thee