domingo, fevereiro 06, 2005

My generation

(Nota prévia : este post vai ser para cascar forte e feio nas pessoas da minha geração - vinte e muitos, trinta anos. Mas atenção, é só a minha opinião pessoal. Eu não sou dono da verdade absoluta. E mais, eu não estou com uma "holier than thou, my shit doesn´t stink attitude". Eu reconheço que me insiro totalmente no âmbito das críticas que faço à minha geração. Também não tenho um sentido social e político muito desenvolvido. E aliás, até sou mais irresponsável que a maioria das pessoas de 29/30 anos. Por isso até devia ter vergonha de falar. Mas o blog é meu, por isso se me chatearem, eu pego no blog e vou embora para casa! Tamos entendidos?)

Quando eu era adolescente, e tinha 15, 16, 17, 18 anos...lembro-me que surgiu um artigo de opinião (escrito não sei por quem), que se tornou célebre, porque designava a minha geração (a 1ª pós-25 de Abril) como "Geração Rasca". Se a memória não me falha, esse texto, para além dio títulozinho engraçadote, não era nada original. Acusava a minha geração de basicamente tudo o que as gerações mais velhas acusam as mais novas, desde há decadas, em quase todos os países do mundo. Em suma, a Bíblia do "Generation Gap":

"A nova geração não tem consciência política, código de valores e ético, não se preocupa com o futuro, não tem moral, não é religiosa, só pensa em foder, fumar, beber, charrar, meter pastilhas, blá, blá, blá....e como resultado, arriscamo-nos a ter Portugal entregue a um bando de pessoas desligadas do que é importante, perdidos, debochados, sem noções cívicas, e blá, blá, blá..."

Foda-se, ainda este fim-de-semana voltei de Vigo (pedimos desculpa pela interrupção que este blog teve ontem...), e há poucos dias, o Instituto da Juventude Espanhol, ou lá que era, tinha divulgado nos telejornais de Espanha um relatório sobre a juventude de Espanha neste princípio de milénio, e o palavreado era semelhante...

Mas a verdade, é que agora que somos jovens adultos, pergunto-me se não haveria uma certa razão. Nós nascemos na Democracia...não tivemos que suportar o que os nossos pais tiveram...a Ditadura, a Censura, a Guerra no Ultra-Mar. Nascemos com tudo, e estamos habituados a tudo. A ter tudo, mas também a aceitar tudo. Mesmo a nível internacional, não tivemos a experiência de acontecimentos que mudaram a face política e social do Mundo. Não vivemos o Vietname, o Maio de 1968 em Paris, o movimento Hippie, conhecemos os Beatles e o Bob Dylan e os Doors, mas não chegamos a perceber a 100% a mensagem que eles tentavam transmitir nas décadas de 1960 e 1970. Somos muito novos para nos lembrarmos do Apartheid, da Guerra Fria (ok, a Guerra Fria ainda podemos ter uma idéia, o Muro de Berlim caiu quando éramos adolescentes...).
Como tal, eu penso que a maioria das pessoas na casa dos 20/30 em Portugal tem uma idéia muito simplista da política e do Mundo. Os momentos mais marcantes da nossa Geração acabam por ser a entrada na UE e o 11 de Setembro...mas acho que isso não chega para moldar os nossos interesses, nem para nos tornarmos pessoas mais interventivas. Mesmo as pessoa da minha geração que estão inscritas em partidos (independentemente da cor...)...eu penso que a maioria o faz não tanto por determinado partido corresponder aos seus ideais, mas mais por uma questão tribal...alguns pertencem ao PS, PSD, PP, PCP, BE, etc...mas falam e pensam como se de um clube de futebol se tratasse. Eu sou apartidário, por isso não penso que também fosse positivo que todos pertencessemos a partidos...só gostaria que os que o fizessem, tivessem em mente não o poleiro, mas a defesa dos interesses gerais da população.
A maior parte das pessoas que conheço, da minha idade são desinteressadas...não procuram saber mais sobre a UE, a Constituição Europeia, como funcionam os lobbies que dominam o mundo.
Tomemos um exemplo : a Guerra do Iraque:
"Eu sou a favor, porque tudo o que a América diz e faz está bem" - essa é a caricatura de um jovem da minha idade ,de direita.
"Eu sou contra, porque a América é a fonte de todos os males do mundo." - essa é a caricatura de um jovem da minha idade, de esquerda.

Não parece haver meio termo, nem razoabilidade na minha geração...não parece haver conhecimentos nem vontade de os desenvolver. O que é irónico, visto que a minha geração é bastante culta, a maioria sabe inglês, e estamos na Era da Informação, com internet, tv a cabo e o caralho...
Pelo menos em Portugal, não há grande contestatários na minha Geração...a gente chupa os políticos até o fundo, e ainda engole a sua nhanha demagógica. ("Vamos ter Constituição Europeia? Ya, fixe, mas se não, também tudo fixe na mesma. Despenalização do aborto, pá, depois a gente pensa..."). Nem sequer há em Portugal escritores e músicos que sejam a voz da minha geração. Mas também porque é que haveria de haver? A gente não tem nada que dizer, nada que ansiar, nada que protestar! Tamos bem assim...foda-se, e se calhar eu também estou!

4 Comments:

Blogger Inês Ramos tornou público que...

Eu acho q se queremos ver mudanças temos que começar por nos mudarmos a nós próprios. Apostar em nós. Gostar de nós. Optar por um estilo de vida menos boémio e mais saudável que nos permita uma dose equilibrada de disparates e de rambóia sem exageros. Beber àlcool moderadamente. Utilizar as substâncias psicotrópicas como potenciadores criativos. Devemos tentar ser comedidos na alimentação e não comer fritos não só por questões estéticas mas também por questões de saúde.
está provado que exercício físico com alguma regularidade ajuda-nos a sentir melhor connosco próprios. Ler um bom livro de vez em quando e nunca nos esquecermos da lição pythoniana «...always look on the bright side of life!»

12:28 da manhã  
Blogger A Besta tornou público que...

Não posso deixar de concordar contigo, não posso deixar de me sentir irritado quando olho à minha volta e vejo os jovens da minha idade. Não me identifico com a maior parte das merdas que preenchem o estilo de vida da maior parte dos jovens, não quero com isto dizer que sou melhor ou pior, simplesmente não me identifico. As preocupações da nossa geração, são maioritariamente o Eu de cada um, poucos se preocupam em viver melhor, para os outros tambem viverem bem. "Estamos" mais preocupados com o nossa importancia neste mundo, do que em tentar dar um significado diferente ao mundo (melhor)através da nossa existência.

2:44 da manhã  
Anonymous Anónimo tornou público que...

concordo contigo, oh Andrade. Reparo que (lembro o sketch dos Gatos
Fedorentos)os políticos lutam sem argumentos. A política é hoje uma perfeita e
colossal merda. A nossa geração que actualmente está na política é
asquerosíssima. É aflitivo falar com eles ou mesmo ouvi-los falar. Por vezes
gostava de ser estúpido para perceber o que dizem, isto porque nem eles sabem
bem o que dizem... Mas aprendem a falar bem (vejam o nosso 1º sinistro
demissionário, o Sócrates, o Jorge Coelho,..., e 99% dos presidentes de Câmara).
Não há hoje grandes fontes de discussão. Os que existem são o Ambiente (causa
louvável mas com aproveitamentos políticos grotescos que atira completamente qq
questão ao descrédito), os direitos dos animais (quando as dondócas frígidas
preferem dar beijos a cães que dar comida a um pobre de rua) ou direitos de
homossexuais (quando esses pilas murchas reivindicam a si mais direitos que os
do resto da sociedade heterossexual, ie, pretendem uma discriminação positiva).
Hoje há uma crise de valor. Hoje tudo tem um preço porque o egoísmo impera. Hoje
o meu carro tem de ser melhor que o teu... O marketing, sendo uma área que
considero apaixonante, conseguiu promover os sentimentos mais pequeninos
(pequenos no sistema de crenças) de inveja, de conforto, de desejo de posse, ao
lugar de destaque. Hoje o dinheiro ocupa o lugar da religião de antes. E lembro
o povo Índio onde na sua cultura não é a terra que é posse do homem mas sim o
homem que pertence à terra... Qual o lugar desta tão sábia e simples verdade na
nossa sociedade?
(podias fazer um blog sobre questões sociais!?!?)

Sobre se devemos mostrar mudanças logo em nós não concordo com a opinião de que
deveríamos ter uma vida mais "regrada e saudável", beber álcool moderadamente e
tudo mais para mostrar mudanças... eu acho que não seremos mais responsáveis por
isso... Responsabilidade é ter uma opinião sobre algo, é saber respeitar o
próximo o que não implica perdermos a nossa liberdade. Claro que se estiver
arruinadamente bêbado, as minhas opiniões de então devem ser atadas a um calhau
e atiradas ao mar... Fumar um cigarro, uma ganza, não usar preservativo com a
gaja da caixa do pingo doce que conheci ontem, tudo isso não faz das minhas
(nossas) opiniões desprovidas de razão, ética e/ou valores. O que me apercebo na
vida é que muitos são os que têm repressões imensas e não têm uma vida "viva"
pois faltam estas coisas, e qual Dr Jekel e Mr Hide, quando podem fazem crescer
as Pérolas Negras, Passereles, Champanhes, bebem até à inconsciência e espancam
as miúdas a quem pagam para foder em segredo e depois vão à missa das 19h no
domingo comungar-se e apontar o dedo aos que preferem compartilhar a ganza
social, tirando-lhes o selo de "responsáveis". Gritam contra o aborto quando as
suas filhas ou namoradas já o fizeram na vizinha Espanha... Não é esta gente que
quero que me venham julgar.
Concluindo, as mudanças que considero que seriam importantes são mais
integridade, mais respeito pelo próximo e mais educação e instrução, maio
tolerância social, menos big brother, menos vidas reais, menos hoteis em praias
paradisíacas ao lado de putos a morrer de fome que “nós (turistas
endinheirados)” chutamos e não queremos sequer ver. São estas as mudanças que
acho que cada um devia ter. Mas será que alguma ver isto ocorrerá?...

ass: Miguel N

11:29 da tarde  
Blogger Sergy tornou público que...

A verdadeira revolução é na tua cabeça!
Só mudas as estruturas se alterares as conjecturas mentais!
E isso é fodido!

11:35 da tarde  

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