sábado, janeiro 01, 2005

O Fabuloso Destino de Amélia : III - Morte Mórbida

O Opel Corsa velho abanava na estrada secundária...Amélia estava no banco de trás, e a seu lado estava o realizador. O carro era guiado pelo camera-man, um jovem simpático que Amélia já conhecia, e no lugar do morto viajava um homem que ela nunca tinha visto. Disseram-lhe que seria o actor no novo filme...ela não gostava do aspecto dele...era quarentão, musculado, mas muito taciturno...o velho carro avançava na noite escura...Amélia não sabia há quanto tempo viajavam...soava em bica..tinha calor...tinham-na drogado bastante, e não sabia porquê. Sentiu-se amorfa e não reactiva...imaginou-se como uma crua caricatura da mãe, e o pensamento gelou-a...Chegaram finalmente a uma casa. Uma casa velha, no fim de uma estrada secundária.
A porta abriu-se e o cheiro a mofo entorpeceu ainda mais Amélia. Do alpendre penetraram numa enorme sala de estar. Os homens iam preparando a câmara...as luzes.
O homem taciturno sussurou qualquer coisa, e retirou-se.
Voltou passado 10 minutos, com um cat-suit de latex negro. Amélia tremeu. Detestava cenas e merdas S&M. Sentiu-se desfalecer...ao longe, ouviu a câmara começar a trabalhar. Estava muito pedrada para foder. O que iriam fazer? Amélia sentiu o sangue a brutar quando o homem lhe esmurrou o nariz.
Ele aproximou-se de uma mesa e voltou com uma faca com uma lâmina de 15 cms.
Quis gritar. As palavras morreram-lhe na garganta. Apercebeu-se de tudo, do que iria acontecer...e não conseguia reagir, gritar, chorar, fugir.
Fugir...o realizador e o camera-men eram figuras espectrais, meros vigias, único público do drama em cena...só ela e o outro actor...eram os únicos habitantes, os únicos sobreviventes da cruel piada que havia sido a sua vida...e não conseguia reagir, gritar, chorar, fugir. ...
"Quando estiveres com eles...foge! Dentro da tua cabeça foge! Foge rapariga...na tua cabeça vai para um outro lugar, imagina-te noutro lugar distante, onde és feliz e livre!".
E Amélia fugiu...sentiu-se uma águia real, a atravezar céus azuis, vento na cara, feliz, livre...
Pelo canto do olho esquerdo viu o reluzir da faca...e assim se consumou o fabuloso destino de Amélia!

(Este conto é para homenagear um dos meus filmes favorito, 8 MM, de Joel Schumacher, com Nicholas Cage! Qual Fabuloso Destino de Amélie, qual filme de gajas, qual caralhos! Um filme a sério, com brutalidade e degredo e violência e morte e sangue!
Como sempre:
A pleasant evening and sweet dreams from your friend
Sérgio de Andrade)

6 Comments:

Blogger Sir Paul Cezar tornou público que...

mais uma vez sou remetido para uma musica do jorge palma!!! "o lado errado da noite", saca e ouve. Vais gostar!!!! de certeza absoluta..........ou não

12:17 da manhã  
Blogger Goth Mortens tornou público que...

Podia ser antes o lado errado da luz. u escolhes de que lado queres caminhar. O Sergy felizmente para nós caminha do lado certo, pois só assim pode presentear-nos com este magnífico texto, em vez de uma lamechice pegada.

10:03 da tarde  
Blogger Sergy tornou público que...

Lamechiches pegadas? Blaaargh!
Eu mostro a vida como ela é, iluminada por luz negra!:)

12:29 da manhã  
Blogger Inês Ramos tornou público que...

Estou sem palavras... Isto é literário, sem dúvida. De certa forma até me revi na personagem... Sempre sonhei ser assassinada violentamente por um psicopata charmoso como o Ted Bundy...

10:56 da manhã  
Blogger Sir Paul Cezar tornou público que...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

12:41 da manhã  
Blogger Sir Paul Cezar tornou público que...

lamechices?????????????? nao tenho palavras!!! quem é este personagem bíblico??? de onde o foram desencantar???

12:43 da manhã  

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