quarta-feira, janeiro 05, 2005

Insónia - The Beggining

"Há muito para aprender da coroa lunar", dizes-me tu na tua costumeira linguagem poética...eu escuto com transcendental abandono. A tua voz, suave e doce, fonte eterna onde brotam pérolas de sabedoria intensa sob a forma de belas metáforas, hipérboles e parábolas...como te amo!
"Há muito para aprender do veludo negro ornamentado de diamantes que paira sobre nós.
Muito que podemos aprender da orquestra celeste, que precede os fogos cadentes por entre a pluviosidade ininterrupta.
Muito que podemos aprender dos predadores, a cobra, o mocho, a águia, a raposa, o lobo e o urso.
Muito que podemos aprender da morte.
Pois o lado negro faz parte da nossa dualidade enquanto seres humanos...é algo do qual não nos podemos desassociar.
E isso é mau? Não te sei responder, bem e mal, luz e trevas, deus e o diabo..são conceitos abstractos e subjectivos. São convenções da sociedade, resultam do banho social a que fomos sujeitos!"
Fecho os olhos e reflicto em cada uma das palavras que murmuraste.
Ali no bosque, na quente noite de Verão, perturbada só pelas aves e insectos noctívagos, senti-me transfigurado, senti-me levitar, atravessar a barreira do físico...Vejo-te a ti, a mim, a nós, pontos singelos e pequenos e desnudados, deitados em doce amplexo no solo da floresta!
Abro os olhos, reganho corpulência, volto a mim.
"Que lindo sonho tiveste tu?"
E eu não te respondo. Palavra alguma, sonho algum se igualaria à sublime presença, à divindade lunar a meu lado.
"Não falas porque receias quebrar a magia...consigo ler-te no teu cérebro, meu amor."
Sorriste ternurenta.
"Nada temas, a magia não cessará pois eis-nos comungando em harmonia aqui com a Mãe Natura. E ela vela por nós, nada nos lesará.
Nada digas, eu sei seres feliz comigo, mas em teu intímo algo te apoquenta...tens medo da ira, inveja, mesquinhez dos homens, pobres seres que nos acusam...
Mas nós somos um mundo à parte, somos livres das suas cadeias.
Dizem que o homem é um ser racional e colectivo? Então porque raciocina melhor no silêncio, na escuridão e na solidão?
O colectivo não nos é inacto, advém da necessidade
Eu digo faz o que te manda a consciência, vai onde te leva o coração!"

E assim fiz eu...seguindo o que me ditou a consciência e o coração, beijei-a sob o olhar distante de Diana.
Nesse momento de paixão absoluta, não sabíamos o quão curto era o nosso tempo, o destino a que estávamos condenados...e no entanto, a Espada de Damocles pairava ameaçadora e invisível sobre nós....

(Nota do Autor: para quem não entendeu, estes bacanos são o mesmo casalinho do meu conto Insónia. Saí um bocado do meu campo habitual e enveredei um bocadinho por uma charopada lamechas de uma historita de medieval amor. Mas descansem, já sabemos que é um amor condenado ao emparedamento e à morte na fogueira:)
Algumas questões podem ser levantadas, e não responderei a nenhuma:
1 - Porque é que uns gajos da idade média iam-se armar em hippies e foder no meio da natureza?
2 - Porque é que falavam português modelo padrão moderno?
3 - Porque é q uns camponeses da idade média, que nem sequer deveriam saber ler, falam e filosofam como pensadores obscuros dos finais do século XIX, inícios do século XX?

4 - Como é que deixam o gajo que escreve estas merdas estar em liberdade, sem medicação nem assistência especiallizada?)

2 Comments:

Blogger Miguel tornou público que...

Realmente, estas tuas personagens são um bocadinho totós. E custa acreditar que algum dia se comam uma à outra. Mas se o destino delas é o emparedamento, tudo bem.

12:13 da manhã  
Blogger Sergy tornou público que...

LOL!
Pois é mesmo verdade...estãoi num post anterior!:)

4:05 da manhã  

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