segunda-feira, dezembro 27, 2004

Rebuçados de Menta

Consumado o acto, levantou-se, suado, cansado e feliz da cama...passou do quarto para sala de estar, sentou-se no seu sofá predileto. Acendeu um cigarro...aquilo soava a um cliché, mas a verdade é que ele gostava mesmo de fumar no final...
Acendeu a tv...os seus desportos de sofá : zapping, channel surfing...um canal falava do tempo, um canal falava de desenvolvimentos sobre o caso do dia na região, um canal falava de desporto, um canal falava de guerra em países longínquos...fechou os olhos...o mundo estava longe...
Lídia também estava longe...e não haveria de voltar senão daqui a dois dias...desde que ela obteve a promoção, tinha que se ausentar muitas vezes. Apagou o cigarro. Após o cigarro, chupava sempre um rebuçado de menta. Para tirar o gosto de cancro da boca...Por vezes fantasiava, imaginava que Lídia tinha um amante..era bom, assim não teria problemas de consciência...mas porque os ter? Ele não era um monstro. Sabia que amava Lídia...sabia que esses breves momentos de loucura eram inofensivos...ok, talvez não amasse verdadeiramente Lídia...não com aquele amor AMOR que nos faz pensar na pessoa amada dia e noite, que faz com que a ausência dela nos faça doer, como o síndroma de abstinência de um heroinómano. Mas temia a solidão, e ela preenchia essa lacuna.
Chupava o rebuçado de menta devagar...quantas vezes tinham sido? 4? 5? Ele já não sabia, mas calculava que a jovem adormecida na sua cama de casal fosse a sexta. Cada uma delas lhe trazia algo de novo, diferente...elas o completavam, da maneira que nem Lídia nem ninguém o comtemplaria. Tinha amado cada uma dessas jovens, com um amor muito além do físico...

Entrou no quarto...acariciou a cabeça da jovem ...brincou com o seu cabelo encaracolado castanho..ela ainda dormia...e porque não? Ele tinha-a esganado enquanto a fodia...e quando se esporrou, ela já era cadáver. Mas ele não era um monstro. O assassinato e a necrofilia não lhe davam prazer. Eram meios para atingir um fim...lamentava o que fazia...mas não se podiam fazer omolentes sem partir ("sangrar") ovos...e ele queria aprender com a vida destas jovens...tornar-se forte com suas experiências, vivências, dramas, alegrias, tristezas. Amortizar-se com a vida delas, e com sua morte renascer. Tinha que ter cuidado...das primeiras vezes tinha-se descuidado...encharcado os lençois de sangue, sémen e suor..teve que destruir dois jogos de lençóis...estranha e felizmente Lídia nunca deu por falta deles...foi à varanda, buscar um balde e um serrote.
Serrou o pulso direito da jovem...tendões, veias, tudo se rasgava ante o árduro mastigar da serra ...parou quando tocou o osso...viu a vida dela pingar para o balde de zinco...devagar....languidamente...


Não gostava verdadeiramente...considerava aqulo um remédio, mal necessário. Sempre ouviu dizer que tinha um sabor doce...mas ele acha que o sangue humano tinha um sabor metálico, um leve travo acobreado...

Felizmente um rebuçado de menta tirava sempre esse mau gosto da boca!

2 Comments:

Blogger Inês Ramos tornou público que...

Sim, sempre achei isso. O sangue humano tem um sabor metálico a cobre e é muito mais delicioso que um rebuçado de menta... mesmo que seja do Dr. Bayer.

Este texto com publicidade a marcas e... Podia dizer-se que está ao nível «breteastonelisianesco»!!!

6:07 da manhã  
Blogger Sergy tornou público que...

Eu por mim não curto rebuçados de menta.

7:58 da manhã  

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