quinta-feira, dezembro 23, 2004

O meu segredinho negro, no leito da morte

"Temos que falar", sussurrou o homem moribundo, a sua mão ossuda agarrando debilmente o braço da mulher ao seu lado.
"Sinto que posso não durar a noite, a minha aflição é grande e em breve partirei, sim, sei que partirei...e não posso ficar em paz sem te revelar o meu terrível segredo".
A mulher que amava o homem enfermo ("não oh não não me digas que me traiste oh não vai-me dizer que fodia outra putas ou não não putas outra mulher ele teve outra mulher e amava-a e não era foder era amor..") arregalou os olhos, e acariciou a mão-esqueleto. Suavemente.
"Faz hoje 32 anos matei um homem."
("Louco está louco meu amor estás louco a doença a doença fala por ele absurdo")
"OUVE-ME! Um homem que não conhecia, um homem mais ou menos da minha idade.
Fi-lo por desporto!! Sim, não o conhecia pessoalmente, não tinha por ele o menor sentimento de antipatia. Via-o passar por mim todos os dias no autocarro, e era belo esse homem, exalava beleza e força e poder. Talvez eu tivesse inveja, talvez me sentisse inferiorizado, talvez tivessse sentido uma necessidade animal de destruir. E nessa altura tinhamos problemas lembras-te, problemas, suspeitas absurdas que abalaram o nosso amor. No fundo o que se passou foi que toda a gente admirava a minha maneira de ser e eu quis provar algo...quis provar que uma pessoa calma, razoável pode ser diferente...também pode praticar o mal...quis provar que uma pessoa humilde pode ser capaz de tomar uma actitude de força! Ele saía sempre uma paragem antes de mim...uma noite saí atrás dele, e descobri onde morava...para chegar mais rapidamente, ele atravessava ma vielazinha...isso foi no verão..chegado o inverno, fui atrás dele...a viela tinha muito pouca iluminação. Eu tinha escondido uma pá na viela no dia anterior.
Foi tão fácil..eu acho que ele nem sentiu nada..eu mantive-me afastado dele, num impulso alcancei-o com uma corrida. Um golpe forte e fundo..acho que ele faleceu naquele momento...sangue, massa encefálica e osso...tanto...na pá...no ar...no chão.
Quando o corpo caíu, dei-lhe duas, três vezes...até a cara dele não passar de uma pasta multi-color...uma mancha vermelha, negra...um arco-iris macabro!
O przer da caça, da matança, a excitação e terror de poder ser descoberto...Chorava, soluçava, ria, suava...tive uma macabra erecção! Até temi esporrr-me nas calças! Senti-me Deus! E senti-me bem, e senti-me tão mal...Tudo isso eu senti naqueles segundos...até que voltei ao normal!
E chorei muito! Tinha que me ir embora. Mas antes obriguei-me a procurar o bilhete de identidade dele! Que a minha vítima tivesse nome e cara! Para me assombrar para sempre. Descobri e fugi! Corri tanto, tanto..sem olhar para trás! Nunca fui descoberto! Nunca segui essa via! Nunca mais o podia fazer! E esse nome aterrorizou-me a vida toda!
Espero que ele me perdoe quando o vir amanhã!"

"Querido estás mal.não digas tolices" diz a amável mulher!

"Espera" disse o velho ofegante!

E disse-lhe o nome da sua vítima inocente!

A mulher abriu a boca de espanto!
(não!!!!!!!!! não!!!!!!!!! não!!!!!!!!!!! O meu amor o meu único verdadeiro amor o meu louco absurdo proibido amor aquele que veio e me libertou da rotina da pasmaceia que eu estava a viver contigo! TU! Tu mataste-o! Pensei que ele estivesse farto de mim que tivesse ido embora pensei que estupida fui em te trair! vivi com esse remorso mas todo este tempo todo este tempo TU!)

"Querido, vou-te fazer um chá".

A mulher foi para a cozinha, não sem antes passar na despesa e trazer o veneno de ratos!

2 Comments:

Blogger Inês Ramos tornou público que...

Tenho SAUDADES que me digas que me queres matar com uma navalha do séc. XIX. Bj0s

10:28 da manhã  
Blogger Sergy tornou público que...

Eu tenho algo ainda melhor em casa. Um punhal japonês a imitar os de hara-kiri!
Não é um material de 5 estrelas, mas a lâmina é cortante e afiada e suponho que desempenhe as funções de degola, esventração decapitação e amputação de forma rápida, limpa e eficiente;0)

6:01 da tarde  

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